“Por que há tantas pessoas do seu lado da cerca?”, perguntou ele. “E o que vocês estão fazendo aí?
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“Tudo o que eu sei é o seguinte”, começou Shmuel. “Antes de virmos para cá eu morava com minha mãe e meu pai e meu irmão Josef num pequeno apartamento sobre a loja onde papai fazia seus relógios. Todo dia tomávamos o café da manhã juntos às sete horas, e, enquanto íamos à escola, papai consertava os relógios que as pessoas lhe traziam e fazia alguns novos também. Eu tinha um lindo relógio que ele me deu, mas não está mais comigo. Era dourado, e toda noite eu dava corda nele antes de dormir, e ele sempre marcava a hora certa.”
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“O que aconteceu com ele?”, perguntou Bruno.
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“Eles o tomaram de mim”, disse Shmuel.
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“Quem?”
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“Os soldados, é claro”, disse Shmuel, como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.
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AAAAAAEscrito por John Boyne, O Menino do Pijama Listrado se passa na 2º Guerra Mundial e conta historia da maquina repressora do nazismo na visão de um garoto de 8 anos, cujo pai é promovido a capitão do Fúria (Hitler).
AAAAAABoyne, que escreve talentosamente bem, nos apresenta a Bruno, jovem rapaz (como gosta de ser chamado) que obrigado a muda de sua antiga casa, com cinco andares e um belo corrimão na escada pelo qual ele costuma escorrega sempre que ia do quarto a sala e onde tinha três Melhores Amigos Pra Sempre, em Berlim. Para uma casa, de só três andares e sem corrimão, num campo em Haja-Vista onde seus milhares de visinhos vestem-se com a mesma roupa listrada e estão separados dele por uma cerca que vai de Onde Ele Pode Ver ate Onde Ele Pode Ver. Entediado em casa sem ter com quem brincar afora a irmã mais velha que o Jovem Rapaz considera um Caso Perdido, resolver sair pra explorar e vai seguindo a cerca. Após muito caminha, encontra sentado olhando para o chão, do outro lado da cerca, um menino vestido com o mesmo pijama listrado dos seus compatriotas e ai começa uma bela (e improvável) historia de amizade e companheirismo.
AAAAAALevando-nos a uma época que homens se achavam superiores a outros e crianças cresciam entre eles, onde a inocência dos pequenos se transforma em racismo e fúria. Um ótimo livro, a narrativa simples e rápida prende a atenção do leitor e o contexto nos faz refletir ao final de cada linha. Uma Obra-Prima essencial que todos de oito a oitenta anos deveriam ler.a
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Ouvindo: [Marcelo Camelo - Mais Tarde]

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